sexta-feira, 29 de julho de 2016
Egberto Gismonti/ Jan Garbarek / Charlie Haden ao vivo em Munique
Um tesouro do som instrumental
Concerto inédito do trio formado por Egberto Gismonti, Charlie Haden e Jan Garbarek, realizado há mais de 30 anos, vira o disco duplo ‘Carta de amor’
RIO - No começo, Egberto Gismonti ficou boiando. Do outro lado da linha, eufórico, falando da Alemanha, estava o criador do renomado selo ECM e seu amigo pessoal, Manfred Eicher, dizendo que tinha encontrado um “tesouro”. Ele se referia à gravação de um show, realizado em abril de 1981, em Munique, na Alemanha, reunindo Gismonti, o saxofonista norueguês Jan Garbarek e o baixista americano Charlie Haden. Depois que entendeu do que se tratava — as fitas com o registro estavam esquecidas nos arquivos da ECM —, ele entrou na onda de Eicher e usou um simbolismo que explica bem o significado do CD duplo “Carta de amor”, que será lançado semana que vem no Brasil, numa parceria entre o selo independente Borandá e a ECM, e em outubro no exterior.
— Quando ele me ligou, e isso foi há quase dois anos, fiquei surpreso, já que nem me lembrava desse material. Depois que ele explicou que as fitas estavam muito bem preservadas e prontas para serem lançadas, disse ao Eicher que isso era como uma mensagem que lançamos no mar e que só chegou à praia agora — diz Gismonti. — Uns dois dias depois, ele me ligou de novo, dizendo que tinha adorado o que eu tinha dito e tinha batizado o disco como “Carta de amor”.
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Gismonti, Haden e Garbarek já trabalhavam juntos desde 1979, quando lançaram o disco “Magico” (título com o qual o trio passou a ser conhecido), gravado em Oslo. Ele foi seguido, quase imediatamente, por “Folk songs”, e os dois discos, elogiadíssimos, passaram a representar a estética avançada e experimental do selo alemão, por onde também gravaram Keith Jarrett, Chick Corea, Ralph Towner, Jack DeJohnette e Pat Metheny, entre outros.
— Nossa união tinha um frescor muito grande porque trazia o Haden, que vinha do free jazz, o Garbarek, que era de um lugar que ficava boa parte do ano sem a luz do sol, e eu, o brasileiro que mudava de opinião várias vezes ao longo do dia — brinca Gismonti.
O show registrado em “Carta de amor” — realizado na sala de concertos Amerika Haus, de acústica privilegiada — aconteceu como uma espécie de celebração pelo sucesso dos dois discos e da turnê europeia que o trio tinha acabado de iniciar. No repertório do disco, de onze cristalinas faixas, estão cinco composições de Gismonti (“Cego aderaldo”, “Don Quixote”, “Branquinho” e “Palhaço”, além da faixa-título).
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— Aquele concerto não foi feito para virar um disco. Ele foi marcado simplesmente porque estávamos felizes e queríamos celebrar a turnê que se iniciava — conta Gismonti. — E a Amerika Haus era um lugar de acústica maravilhosa, nem muito grande, nem muito pequeno, com 800 lugares.
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